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Freamunde

Freamundense de berço,
bairrista por convicção.

Opinião · 26 de outubro de 2026

Freamunde: um ano depois, o que mudou?

Um ano de mandato socialista. Um ano de expectativas. E uma cidade que continua à espera.

No próximo dia 2 de novembro assinala-se o primeiro aniversário da tomada de posse do executivo socialista da Junta de Freguesia de Freamunde.

Um ano. Doze meses. 365 dias.

Tempo suficiente para conhecer os problemas, estabelecer prioridades, apresentar soluções e, sobretudo, demonstrar uma visão para o futuro da nossa cidade.

Não se exige que todos os problemas sejam resolvidos num único ano. Seria irrealista e intelectualmente desonesto. Mas exige-se direção, iniciativa, capacidade de execução e, acima de tudo, resultados que os cidadãos consigam reconhecer.

E a pergunta que se impõe é simples: o que mudou verdadeiramente em Freamunde?

A resposta, infelizmente, não é animadora.

Uma cidade que parece ter parado no tempo

Freamunde sempre se caracterizou pelo dinamismo das suas gentes, pelo espírito empreendedor, pelo associativismo e pela capacidade de fazer acontecer.

Somos uma terra de trabalho, de iniciativa e de identidade própria. Uma cidade que não se resigna facilmente e que sempre encontrou na força dos seus cidadãos a capacidade de ultrapassar dificuldades.

Contudo, olhando para este primeiro ano de mandato, é difícil identificar uma estratégia clara de desenvolvimento local.

Onde estão os projetos estruturantes? Onde estão as iniciativas mobilizadoras? Onde está a ambição?

Freamunde não pode limitar-se a existir. Tem de evoluir.

E, neste momento, a sensação é precisamente a contrária: a de uma cidade estagnada, sem rumo visível e sem uma liderança capaz de mobilizar a comunidade em torno de um projeto de futuro.

Comércio local: uma cidade sem vida comercial perde a sua identidade

O comércio tradicional é muito mais do que uma atividade económica. É proximidade, convivência, emprego e identidade.

Uma cidade sem comércio é uma cidade que perde movimento, atratividade e vida nas suas ruas.

Em Freamunde, o comércio local atravessa dificuldades evidentes. Mas tão preocupante quanto essas dificuldades é a aparente ausência de iniciativas consistentes para as combater.

Onde estão as campanhas de valorização do comércio tradicional? Os eventos que tragam pessoas ao centro da cidade? As parcerias com comerciantes? Os incentivos à dinamização económica?

Não se espera que uma Junta de Freguesia resolva, por si só, todos os desafios económicos. Espera-se, isso sim, que seja um agente mobilizador, que promova parcerias, apresente propostas e procure soluções.

A ausência de recursos não pode servir de desculpa para a ausência de ideias.

Estradas degradadas, sinalização inexistente e manutenção sem planeamento

O estado de conservação de diversas vias de Freamunde continua a merecer preocupação.

Estradas degradadas, pavimentos em mau estado e necessidades de intervenção que se acumulam, aparentemente sem uma estratégia de manutenção suficientemente clara.

A isto junta-se a sinalização rodoviária inexistente ou insuficiente em determinados locais, com implicações na segurança de automobilistas e peões.

São problemas básicos. E é precisamente por serem básicos que deveriam merecer atenção prioritária.

Também a limpeza e manutenção dos espaços públicos suscitam interrogações.

As intervenções parecem surgir de forma pontual, sem que seja conhecido um plano estruturado, com critérios transparentes, prioridades definidas e periodicidade estabelecida.

Por vezes, fica mesmo a perceção de que se intervém mais por conveniência ou pressão circunstancial do que por uma estratégia de manutenção do espaço público.

Não afirmo que assim seja. Mas quando não existe transparência sobre os critérios utilizados, abre-se inevitavelmente espaço à dúvida.

Uma cidade não se gere por impulsos. Gere-se com planeamento, prioridades e prestação de contas.

Cemitério n.º 1: uma situação que exige respeito e intervenção urgente

Há situações que ultrapassam a discussão política e entram no domínio do respeito pela dignidade humana e pela memória coletiva.

O estado de conservação do Cemitério n.º 1 é uma dessas situações.

A degradação visível deste espaço e as preocupações relativas à estabilidade de algumas das suas estruturas, incluindo o alegado risco de aluimento, exigem uma avaliação técnica rigorosa e uma resposta urgente das entidades responsáveis.

Não estamos a falar de um espaço público qualquer.

Estamos a falar de um lugar de memória, de respeito e de ligação emocional para inúmeras famílias freamundenses.

Independentemente de quem tenha permitido que a situação chegasse a este ponto, importa saber o que está a ser feito para a resolver.

Existe uma avaliação técnica? Foram identificados riscos? Há um plano de intervenção? Qual é o calendário previsto?

O respeito pelos nossos mortos também se demonstra pela forma como cuidamos dos espaços onde repousam.

E este não é um assunto que possa continuar indefinidamente à espera.

Quartel da GNR: mais um ano, os mesmos problemas

A questão do quartel da GNR continua a representar uma preocupação para Freamunde.

A existência de instalações adequadas para as forças de segurança não é um luxo. É uma necessidade para garantir condições dignas de trabalho e um serviço de proximidade à população.

Contudo, um ano depois, não são conhecidos avanços concretos que permitam antever uma solução definitiva.

Que diligências foram realizadas? Que contactos institucionais foram estabelecidos? Que compromissos existem? Quais são os próximos passos?

Reconheço que a resolução deste problema não depende exclusivamente da Junta de Freguesia.

Mas também considero que uma liderança local não pode limitar-se a aguardar que outros resolvam os problemas da sua comunidade.

É necessário insistir, reivindicar, acompanhar e informar.

Governar também é saber exigir, junto de quem decide, aquilo que a nossa cidade merece.

Casa das Artes: uma ambição reduzida a uma lona

Talvez nenhum exemplo simbolize tão bem a distância entre a ambição que Freamunde merece e a realidade que hoje observamos como a denominada Casa das Artes.

Um projeto que deveria representar cultura, criatividade, dinamização e valorização da identidade freamundense continua, aos olhos de quem passa, praticamente reduzido a uma lona.

Uma lona que anuncia uma intenção, mas que não substitui uma obra.

Que não promove cultura.

Que não cria oportunidades.

Que não acrescenta valor à cidade.

É legítimo perguntar: em que fase está o projeto? Que financiamento existe? Qual o calendário de execução? Que obstáculos persistem?

Não se trata de exigir milagres nem de atribuir responsabilidades exclusivas ao atual executivo por processos que possam ter começado anteriormente.

Trata-se de exigir informação, acompanhamento e capacidade de iniciativa.

Porque uma cidade não se desenvolve com anúncios permanentes de intenções. Desenvolve-se com projetos concretizados.

Um ano não resolve tudo. Mas deve revelar alguma coisa.

Seria injusto responsabilizar o atual executivo por todos os problemas que Freamunde acumulou ao longo dos anos.

Muitos são anteriores a este mandato. Outros dependem de decisões e investimentos de entidades externas à Junta de Freguesia.

Mas essa realidade não elimina a responsabilidade política de quem aceitou governar.

Quem se candidata apresenta-se aos cidadãos como parte da solução. Quem vence assume o compromisso de trabalhar para concretizá-la.

E um ano, embora insuficiente para transformar uma cidade, é tempo suficiente para revelar prioridades, capacidade de mobilização e sentido estratégico.

Não basta afirmar que se trabalha.

É necessário explicar o que se fez, o que está em curso, o que falta fazer e quando se espera apresentar resultados.

Os freamundenses não precisam de discursos triunfalistas nem de sucessivas justificações.

Precisam de respostas.

Precisam de transparência.

Precisam de ambição.

E, sobretudo, precisam de sentir que existe alguém a trabalhar diariamente por uma Freamunde melhor.

Freamunde merece mais

Esta reflexão não é contra o Partido Socialista, nem a favor de qualquer outra força política.

É a opinião de um cidadão que gosta da sua terra, que se orgulha das suas origens e que se recusa a aceitar a estagnação como uma inevitabilidade.

O desenvolvimento de Freamunde não pode depender das cores partidárias de quem governa.

Deve depender da competência, da dedicação, da capacidade de ouvir e da coragem para decidir.

Não interessa quem inaugura, quem anuncia ou quem procura os louros políticos.

Interessa aquilo que fica para a cidade.

Interessa a qualidade de vida dos seus habitantes.

Interessa o futuro que estamos a construir para as próximas gerações.

Aos atuais responsáveis autárquicos, deixo um desafio simples: apresentem publicamente um balanço objetivo deste primeiro ano de mandato.

Que compromissos foram cumpridos? Que projetos avançaram? Que investimentos foram assegurados? Que problemas foram resolvidos? Que prioridades estão definidas para os próximos três anos?

Não são perguntas inconvenientes.

São perguntas legítimas de quem confiou, através do voto, a gestão dos interesses da comunidade aos seus representantes.

Freamunde não precisa de uma Junta que se limite a administrar o quotidiano. Precisa de uma liderança que tenha uma visão para a cidade.

Porque o tempo passa. As oportunidades também.

E cada ano perdido é um ano que não recuperamos.

No dia 2 de novembro, o executivo socialista completa o seu primeiro ano de mandato.

A pergunta não é apenas o que fizeram durante este ano. É, sobretudo, o que pretendem fazer para que os próximos três não sejam mais do mesmo.

Freamunde merece mais.

E os freamundenses têm todo o direito de o exigir.

Uma opinião pessoal, independente e apartidária. Porque gostar de Freamunde também é ter a coragem de questionar aquilo que precisa de mudar.

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